Slow: Pioneiros do som pesado gaúcho
Postado em 11 de março de 2019 @ 16:06 | 508 views


Desde os primórdios a cena underground de Porto Alegre apostou em um direcionamento mais pesado do que o comum, sendo extremamente perceptível a enorme influência que o Black Sabbath exerceu sobre alguns grupos. A banda Slow é um belo exemplo disso. Verdadeira discípula da turma de Tony Iommi, a banda nasceu no começo dos anos 80, quando o guitarrista Lauro “Lou Lord” Levandowski, que passou dos treze aos dezesseis anos de sua adolescência radicado em Nova York, voltou ao Rio Grande do Sul, em 1979. Após retornar dos Estados Unidos para Porto Alegre, reencontrou uma gurizada da “pesada” no colégio e logo recebeu um convite irrecusável do vocalista Marcelo “Mike” Wolff: “vamos montar uma banda, meu”?

Já no verão de 1980, a banda iniciava suas atividades com covers de “Smoke on the Water” (Deep Purple) e “War Pigs” (Black Sabbath). O nome Slow surge de uma forma natural em função da sonoridade do grupo transitar entre partes lentas e pesadas. “O mundo estava uma loucura. Era uma crítica social também, então pegamos de leve”, destaca Levandowski. Além do guitarrista e do vocalista, completava a formação o baixista Leandro “Lean Gerard” Grando e o baterista Odir “Shatters” Goulart. Em 1981, começaram a peregrinar por uma série de concertos em festivais colegiais de Porto Alegre, como o Júlio de Castilhos, Inácio Montanha, Festipa (Festival do Colégio IPA) e Instituto Conceição, além de outras apresentações pela Região Metropolitana, como Viamão, Cachoeirinha e Gravataí, onde fizeram a abertura do show da Taranatiriça. “Estava aí registrada a primeira parte da saga de um dinossauro do Rock gaúcho com muito orgulho”, ressalta o Lauro Levandowski.  Participaram também do Projeto Unimúsica, da UFRGS, em 82, com o repertório recheado de canções próprias e versões do Black Sabbath. O destaque deste giro de apresentações colegiais foi a faixa “Roleta Russa”, que chegou a tocar na abertura de um programa da TVE.

Ouça a raríssima “Incubus e Sucubus”, de 1983:

Em março do ano seguinte, a Slow reserva o Teatro do Ipê, onde permanece em cartaz durante dois finais de semana. Neste mesmo ano, a Slow presta uma homenagem ao Astaroth com uma composição que leva o nome da banda porto-alegrense. Em 1984, o grupo é convidado para o show de encerramento do 1º FICA (Festival Interno da Canção Anchietana). Durante as apresentações surge uma amizade recíproca entre Astaroth e Slow, que passam a ensaiar juntas e dividir os mesmos palcos. “Na ocasião conhecemos os integrantes da Astaroth e o grande amigo Marco Di Martino. Só faltou estar no primeiro “Rock Garagem”, mas quem estava lá, mereceu”, registra Lauro. Em 1986, a Slow grava sua primeira fita demo tape oficial com fortes pegadas de Black Sabbath. “O Marcelo cantava muito e as composições do Lauro eram uma coisa impressionante. A combinação entre eles era muito foda”, enaltece o baterista Daniel Fontoura, que mais tarde faria parte da nova empreitada da dupla. Ainda em 86, Levandowski se mudou para São Paulo, dando por encerradas as atividades do conjunto por questões estruturais. “O Slow foi uma banda que viveu o tempo inteiro no underground e não ‘aconteceu’. Eles tinham composições absolutamente geniais”, exalta Marco Di Martino, baixista do contemporâneo Spartacus.

E o Slow também fez parte do primeiro festival de Heavy Metal do Rio Grande do Sul, realizado nos dias 08 e 09 de dezembro de 1984 no Auditório Araújo Vianna em Porto Alegre. Tocaram as bandas Pesadelo, Slow, Arauto, Barrabás, Guilhotina, Apocalipse (não confundir com a de Caxias), Asgard, Zion, Elipses, Purgatório e como bandas convidadas: Astaroth e Frutos da Crise. Tiveram como apoio a Loja Disco Voador, TV2 Guaíba e Sindicato dos Bancários.

Em Tá no Sangue! – A História do Rock Pesado Gaúcho – Parte 1”, escrito por Maicon Leite, Douglas Torraca e Luis Augusto Aguiar, há um capítulo especial sobre os Points de Rock de Porto Alegre, como o Bar Ocidente, Lola, Rolla Rock, as divergências entre as tribos (as famosas brigas entre Punks e Bangers), etc. Para ler mais depoimentos e outros textos e relembrar alguns acontecimentos, acesse a página do livro, e para quem quiser adquirir o livro e conferir tudo o que se passou na cena gaúcha até o final da década de 1980, basta entrar em contato através do e-mail projetolivrors@gmail.com (o custo do livro + correio é de R$ 45,00 no total).

A primeira parte de Tá no Sangue! – A História do Rock Pesado Gaúcho” foi lançada na 60º Feira do Livro de Porto Alegre em 2014, e aborda os primórdios do Rock Pesado Gaúcho, desde os anos 60 e 70 até o final da década de 1980. A segunda parte do livro abordará somente a década de 1990, dando continuidade nos fantásticos depoimentos de quem sobreviveu às inúmeras cachaçadas neste verdadeiro patrimônio histórico gaúcho.

 

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