Bryce VanHoosen detalha a construção do “Fly Rig” definitivo após show no festival Hell’s Heroes
Guitarrista da lendária Leather Leone explora os detalhes técnicos de sua configuração compacta, combinando o pré-amplificador Friedman IR-J e o processador Eventide H90.
O guitarrista Bryce VanHoosen publicou um vídeo detalhando a configuração do seu mais recente fly rig, utilizado durante a oitava edição do festival Hell’s Heroes, no White Oak Music Hall. Acompanhando a icônica vocalista Leather Leone no palco The Lawn, que reuniu cerca de 3.000 pessoas, o músico executou um repertório focado nos clássicos do Chastain, resgatando a sonoridade característica do Metal dos anos 80 imortalizada pela Shrapnel Records.
A busca por um equipamento portátil e eficiente para viagens aéreas era um desafio antigo para VanHoosen. Soluções anteriores esbarravam em problemas logísticos ou de timbre. O transporte de modeladores maiores, como o Kemper em cases rígidos, gerava altas taxas de bagagem — cerca de 80 dólares por trecho — e o risco de danos no compartimento de carga. Já as alternativas menores testadas no passado não entregavam a resposta desejada. “Sempre que eu uso um modelador, especialmente quando tento combiná-lo com outros pedais, eu sempre me sinto um pouco decepcionado. Ele não faz exatamente o que eu quero que ele faça”, explica o guitarrista no vídeo.
A virada ocorreu após testes com a série IR da Friedman, sugerida por Mario, da Boutique Amps Distribution, durante a NAMM 2026. A base do novo sistema é o pré-amplificador Friedman IR-J, que opera de forma totalmente analógica. “É um matador do Quad Cortex. Se você está indo direto do IR-J para um power amp, é totalmente analógico e parece um amplificador real porque é um amplificador real”, atesta VanHoosen.
Para os efeitos, a escolha foi o Eventide H90, configurado em modo duplo, operando efetivamente como dois processadores distintos: um atuando na frente do IR-J e o outro no loop de efeitos. O fluxo de sinal começa com uma guitarra Charvel 375 Deluxe (1989), equipada com um captador EMG 89 na ponte, conectada via sistema sem fio Xvive A58. Um detalhe técnico importante na montagem é o roteamento de saída. O sinal de retorno do H90 passa por um divisor de sinal (splitter) passivo. “Você definitivamente quer usar um splitter passivo. Splitter ativo pode introduzir alguns problemas de aterramento e ruído adicional”, detalha. Uma das vias alimenta um mini power amp Heavy Earth Higher Power direcionado a um gabinete Marshall JCM 2000 no palco, servindo de retorno. A outra via, utilizando as respostas a impulso (IRs) embutidas no Friedman, vai diretamente para a mesa de som principal.
O repertório exigiu três texturas principais, todas gerenciadas pelo H90 atuando como controlador MIDI, o que eliminou o incômodo “sapateado” na troca de canais:
Ritmo: Baseado no overdrive e no noise gate interno do IR-J, com o H90 atuando como equalizador para atenuar frequências agressivas (como 2200Hz e 6kHz). O resultado sonoro se assemelha a uma mistura entre os circuitos clássicos de 1959 e 800 da Marshall.
Clean: Utiliza o canal um do IR-J, sem o boost adicional, processado por chorus e delay. O timbre final é um som limpo clássico estilo Marshall, levemente saturado, projetado para se destacar na mixagem.
Lead (Solo): Usa o canal dois com o boost TS9 interno ativado. O noise gate é programado via MIDI para atuar de forma mais suave, permitindo maior sustentação das notas, envoltas em reverb e delay.
“Esta foi a primeira data de voo em que eu me senti verdadeiramente confortável. Indo para os amplificadores no palco, realmente soou como um amplificador valvulado com alguns efeitos digitais. Porque é um amplificador valvulado com alguns efeitos digitais”, conclui Bryce.
Assista ao vídeo:
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