Symmetrya lamenta o falecimento do artista Juarez Machado
O multiartista joinvilense, falecido aos 85 anos, inspirou a faixa “Lights Go Down”, que traduziu a litografia “I Encontro” para a linguagem do Metal. Vocalista destaca o legado do pintor para a cultura catarinense.
A cena cultural brasileira despediu-se na última terça-feira (6) de Juarez Machado, aos 85 anos. O multiartista, nascido em Joinville, deixou um legado inestimável que transcende as artes plásticas. Em meio ao luto nacional, a banda de Power/Prog Metal SYMMETRYA, também de Joinville, manifestou seu pesar e relembrou a profunda conexão de sua discografia com a obra do artista.
Ouça “Lights Go Down”:
Em um depoimento oficial sobre a perda, o vocalista Jurandir Jr. destacou a importância de Juarez como uma referência criativa incontestável para os artistas locais: “Para nós, que também somos de Joinville, o Juarez sempre representou o ponto mais alto que a arte catarinense poderia alcançar. Ele levou o nome da nossa cidade para o mundo. Era um mestre em capturar a essência humana, fosse pelo humor na televisão, pelas cores vibrantes de seus quadros parisienses ou pela sobriedade do preto e branco. A sua partida deixa um vazio enorme, mas a genialidade da sua obra é imortal. Ter eternizado a nossa reverência a ele no álbum “Beyond the Darkness” é, sem dúvida, um dos maiores orgulhos da nossa trajetória musical.”
Com mais de 60 anos de carreira, Juarez Machado não se limitou às telas. Ele foi pintor, escultor, ilustrador, cartunista e pioneiro do desenho de humor na televisão brasileira, marcando época nos anos 1970 com seu quadro de mímica no programa Fantástico (Rede Globo). Nos anos 1980, mudou-se para Paris, onde consolidou sua assinatura visual: obras marcadas por um requinte boêmio, estética Art Déco, o uso de bicicletas, guarda-chuvas e paletas de cores inconfundíveis. Em sua cidade natal, Joinville, seu impacto está cravado no espaço urbano, especialmente no mural cerâmico “O Grande Circo”, no Centreventos Cau Hansen, e nas atividades do Instituto Internacional Juarez Machado.
Foi justamente o contraste na vasta obra do artista que inspirou a banda SYMMETRYA no álbum “Beyond the Darkness” (2018). A faixa “Lights Go Down” foi estruturada como um tributo direto à litografia “I Encontro”, uma peça que foge das cores vibrantes habituais de Juarez e aposta inteiramente no preto e branco. Jurandir Jr. (vocal), Alexandre Lamim e Wagner Hermes (guitarras), Filipe Moreira (baixo) e Marcos Vinicius (bateria), declaram ainda que a arte de Juarez Machado continuará sendo um farol para criadores de todos os gêneros artísticos.
A banda utilizou a estética gráfica da obra como uma metáfora lírica. Em vez de retratar o romantismo tradicional, a música discute o afeto sob uma ótica crua e objetiva. Jurandir Jr. detalha o processo de composição que uniu a arte visual ao Heavy Metal: “A letra desta canção retrata o amor em sua forma racional. Como a obra é feita em preto e branco, sem outras cores, usei este paralelo para desenvolver o tema da letra, retratando um amor sem ilusões, fazendo uma apologia ao sentimento em sua forma mais direta e simples. Foi usado o título de “Lights Go Down” (luzes se apagam) insinuando esse amor sem cores na forma poética.”
Atualmente, a banda está relançando toda a sua discografia nas plataformas de streaming. Como aquecimento para a chegada iminente do álbum “Beyond the Darkness” na íntegra, o grupo já disponibilizou digitalmente o single “Insidious“. A faixa, um épico progressivo com mais de oito minutos que encerra o disco original, apresenta um contraste temático marcante. A letra aborda de forma crua e visceral a realidade do câncer, narrando a jornada desde o choque do diagnóstico até a intensa batalha física, mental e espiritual pela sobrevivência. A composição explora o medo da morte e a fragilidade humana, servindo como um tributo de força e resiliência aos pacientes e famílias que enfrentam a doença.
Ouça “Insidious” no Spotify:
Sobre o Symmetrya:
Formada em Joinville (SC) no início dos anos 2000, a banda construiu uma carreira sólida no cenário underground brasileiro. Com influências que vão do Hard Rock clássico ao Prog Metal moderno, a banda já dividiu palco com gigantes mundiais como Primal Fear, Dark Moor, Sonata Arctica e Angra. A banda segue trabalhando na pré-produção de seu quarto álbum de estúdio.
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